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Escola de Formação de Velocidade e Barreiras

Entrevista com Daniela Ferreira

Daniela Ferreira, treinadora do Juventude Vidigalense desde 2012, tem vindo a assumir-se como uma treinadora de referência a nível nacional na formação de jovens atletas na modalidade. A sua especialização em velocidade e barreiras tem vindo a ser bem sucedida, e na época de 2018/2019 foi segunda classificada no prémio de melhor treinador juvenil da Federação Portuguesa de Atletismo.

Na estrutura do clube lidera a coordenação do setor de formação, onde crescem os próximos talentos do clube e da região para a modalidade.

Neste fim-de-semana, no CN Sub20, Daniela Ferreira irá contar com a presença de 6 atletas, que irão uma vez mais disputar os lugares cimeiros entre os melhores atletas nacionais e ajudar a equipa a alcançar mais dois pódios nacionais coletivos.

 

1 – O que diferencia o trabalho feito no JV?

Na minha perspetiva, a forte aposta numa equipa técnica de qualidade e numa formação que se inicia como multidesportiva e se vai especificando nas várias disciplinas do atletismo, são os ingredientes principais.

Hoje em dia, os jovens são muito menos ativos do que eram antes, um contexto em que a realidade tecnológica predomina. Neste sentido, o facto de começarmos as nossas atividades a partir dos 4 anos, com o desenvolvimento da psicomotricidade e dos padrões motores básicos, vai certamente potenciar um melhor desenvolvimento a longo prazo.

Na nossa organização, as atividades dos 4 aos 6 anos são no sentido de potenciar a atividade motora. A partir dos 7 anos, integram a Escola de Formação Desportiva, com uma abordagem multidesportiva, incluindo atividades jogadas de atletismo, atividades gímnicas e de patinagem. A partir dos 11 anos, a abordagem centra-se na nossa modalidade, o Atletismo, com um desenvolvimento multidisciplinar.

Neste sentido, os nossos jovens têm uma formação bastante diferenciada e sequenciada, por forma a um melhor desenvolvimento.

 

2 – Quais os principais fatores que contribuíram para o teu crescimento enquanto treinadora?

Foram vários os fatores que contribuíram para o meu crescimento, desde o facto de ter tido a oportunidade de estagiar sob a orientação do Professor Filipe Conceição, que para mim é um excelente exemplo, às várias pessoas que se foram cruzando comigo (treinadores, atletas e restantes agentes), todos foram importantes neste processo.

Também a oportunidade de poder crescer no seio de um clube como o Juventude Vidigalense, na altura liderado pelo Paulo Reis, foi se dúvida uma grande alavanca.

O último fator que considero importante é o facto de procurar constantemente aprender com outros treinadores mais especializados. Costumo dizer que cada dia é uma nova oportunidade de aprendizagem e, consequentemente, de crescimento.

 

3 – Quais as principais dificuldades na liderança do processo de jovens atletas?

Em momento algum nos podemos esquecer que por detrás de qualquer atleta, seja jovem ou adulto, está uma pessoa. Como tal, o facto de todos serem diferentes obrigam-nos a estratégias também diferentes e individualizadas. Penso que este é o maior desafio, ou seja, perceber a individualidade de cada atleta, porque cada jovem se torna um desafio diferente.

Incutir nos jovens o gosto pela prática da modalidade, numa atualidade tão tecnológica, é também um grande desafio, uma vez que se trata de uma modalidade individual, em que os jovens não têm competições todos os fins-de-semana, como acontece nas modalidades coletivas.

A retaguarda familiar torna-se assim essencial, sendo importante um contacto próximo e constante, por forma a estarmos todos em sintonia.

 

4 – Qual a estratégia utilizada na transição de jovens atletas para os grupos de competição?

Penso que o facto de termos já grupos diferenciados nos escalões mais velhos da formação é uma grande ajuda. Na nossa organização, os atletas iniciados que mais se evidenciam começam já a ter um acompanhamento mais específico, num grupo mais pequeno, facilitando depois a transição para os grupos de competição. O facto de poderem também integrar várias escolas mais específicas (Velocidade e Barreiras, Lançamentos, Saltos Verticais, Meio-fundo, etc.) facilita todo o processo de transição, uma vez que duas vezes por semana os atletas treinam com os treinadores dos grupos de competição. Ou seja, a transição é feita gradualmente, facilitando a adaptação dos atletas à mudança.

 

5 – Como funcionam as Escolas da especialidade?

No meu caso, lidero a Escola de Velocidade e Barreiras, onde uma vez por semana tento dar um acompanhamento mais próximo aos atletas do setor de formação que mais se destacam nestas disciplinas, tentando potenciar a aprendizagem específica destes jovens, que nem sempre é possível num grupo grande, com vinte ou trinta atletas.

Neste momento, é um grupo que conta com cinco atletas, dos escalões de iniciados e juvenis. Esporadicamente, este acompanhamento mais próximo estende-se a atletas do escalão de infantis, potenciando essencialmente a aprendizagem técnica.

Há momentos em que incluo alguns destes jovens num ou outro treino do meu grupo de competição, fazendo com que possam ter um maior contacto com os atletas mais velhos, que acabam por ser uma referência para eles. O mesmo se verifica em dias em que convido os meus atletas a virem demonstrar alguns exercícios na Escola de Velocidade e Barreiras. Na minha perspetiva, este contacto próximo entre os atletas da formação e da competição é fulcral para a motivação dos mais jovens.



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